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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Quis esquecer os teus olhos. Os teus olhos grandes e penetrantes, os teus olhos claros e carinhosos que me olhavam tantas vezes com rugas do teu sorriso. Esse sorriso que tantas vezes me levou para o melhor sítio do mundo. Esse sorriso que tantas vezesme salvou de mim mesma. Quis esquecer-me da tua voz, dos teus braços e das tuas mãos que sempre me ampararam. Os teus braços foram a melhor casa em que alguma vez vivi. Tu foste a melhor casa em que alguma vez vivi. Fizeste-me sentir em casa onde quer que estivesse. Fizeste-me sentir parte de alguma coisa que importava. Foram os teus olhos que me mostraram que eu tinha valor. Não sei como algum dia vou poder acordar e não me lembrar deles, postos em mim tantas vezes.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Alguém

Conheci uma rapariga, em tempos. Uma rapariga que desconhecia o seu valor. Uma rapariga que se deixou perder, ou então fugiu de si para nunca mais se conseguir encontrar. Hoje em dia pergunto-me como desperdiçou tanta alma em projectos de vida sem pernas para andar. Ela via-lhes pernas, mas era a única. Hoje em dia pergunto-me como se colocou naquela posição de fragilidade perante o inimigo, que na verdade era ela mesma. Não podia ter amor por si. 
Conheci uma rapariga, mas os caminhos que tomou deixaram-na irreconhecível. Os meses, os anos, em cativeiro na sua cabeça, sem contacto exterior, sem apoio alheio, sujeita aos seus próprios defeitos tornaram-na incapaz de se transpor para a realidade. Tornaram-na fraca demais para exercer toda a capacidade que outrora teve para mudar-se a si mesma, e a tudo o que a rodeava. 
Essa prisão mental, esse cativeiro em que se trancou por iniciativa, como forma de protecção ou apenas de descanso, tentei quebra-lo vezes sem conta, sem sucesso, mas sempre na esperança de deixar aberta uma fresta por onde ela pudesse ver novamente o Mundo com os seus olhos.
Fracassei. 
Ela era incansável em tudo o que fazia, e consciente ou inconscientemente, foi-lo ao trancar-se em si. Procurei em torno dela algo que a fizesse agarrar-se a mim, a realidade que nos rodeia, mas parecia sempre querer fechar-me os olhos. 
Se talvez tivesse tentado abrir-lhe o coração, se tivesse tentado despir-lhe todas aquelas magoas que apertava contra si, ela se tornasse mais leve. Mais transparente.
Os olhos dela eram grandes buracos, não por serem negros, porque o seu tom assemelhava-se ao avelã, mas por serem capazes de transportar quem os olhasse fundo a tudo o que os fazia verter. Ela sorria e o seu ar sereno transbordava confiança, mas apenas aquela confiança que se desfaz ao toque, que desaparece assim que nos aproximamos um bocadinho mais. Ela tentava esconder, mas tinha mais feridas dentro de si do que nos joelhos esfolados. 
Eu conheci uma rapariga em tempos, de quem me orgulhava por mais erros que cometesse, de quem sabia formas e feitios de cor, de quem conhecia as capacidades. Esses tempos passaram. Continuo a vê-la todos os dias, mas já não a conheço. Ela passa por mim com o mesmo ar insolente de quem sabe os passos que da mas desconhece tudo o que a rodeia.  Ja não me fala ao coração. Ja não a consigo ouvir.
Consigo somente olha-la no espelho, ver o meu reflexo, mas já não a conheço. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O tempo arrasta-me os pés pelas poças. Este Inverno abate os meus dias, mas mesmo quando faz sol, parece que o não vejo brilhar como em tempos. As horas são lentas, ou melhor, demoram a ser.
Caminho de joelhos, já rasgados, e em mim nada mais há que polir. Só que sonhar.
Haverá maior vassalagem que prestamos, senão ao nosso coração?
Em mim só há fumo, uma névoa branca de pensamentos que me assombram e se desvanecem ao seu sabor.
O vento ruge. Pensa que me ao gritar o vou ouvir melhor, mas os meus ouvidos só ouvem a musica da solidão.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mais amor, por favor. Mais calma na alma e um rasgo de sensibilidade acrescida. É preciso ter mais apreciação pelas pequenas coisas que nos são, cada vez mais raramente, oferecidas. Estamos rodeados de pequenos prazeres, pequenos pormenores que mudam tudo no nosso dia-a-dia. Talvez um sorriso, um abraço, um carinho. Uma palavra de apoio que pode confortar tanto as mentes em desconsolo. Nós nunca sabemos o que vai na cabeça da outra pessoa, no coração dela.. Por isso, porque não melhorar o seu dia e talvez fazer a diferença? Com o passar do tempo cada vez há menos razões para continuar a acreditar num Mundo melhor, numa sociedade melhor e talvez numa comunidade utópica. Quer dizer, não me intrepertem mal. O que quero dizer é que, mesmo não atingindo altos padrões, a comunidade em si deveria ter como primazia o dever de se esforçar para tal, a consciência de que com entreajuda, compreensão e assertividade tudo se pode fazer. Deviamos acordar todos os dias motivados para ter um papel positivo na mudança da mentalidade das pessoas, um papel de carácter activo, incansável e interessado. Mas, vamos ser sinceros, como é que é possível ter uma atitude assim nas condições a que, cada vez mais, assistimos todos os dias? A miséria é uma realidade mais perto do que imaginam, e como é que a nossa cabeça dorme descansada na almofada com esta certeza? Aliás, com a incerteza do amanhã, que tanto se pode apresentar como um dia normal, mas também pode ditar a viragem da nossa vida.
Tenho procurado um significado para o que tenho vivido, mas há momentos na nossa vida em que as palavras escasseiam.. Damos voltas e voltas na cabeça, mas não encontramos palavras que descrevam o presente. Ora pois, claramente que tenho vivido uma montanha russa, um misto de euforia e insegurança que me tira o sono durante as noites. A verdade é que me tenho acomodado à tua presença, às tuas palavras - e mais ainda! - ao teu carinho. Em pouco tempo conheci uma faceta tua que, após longos meses de amizade, desconhecia sem sombra de dúvida. Por um lado o receio, a incerteza, porque nem sempre as pessoas sentem aquilo que dizem, e as palavras perderam, para mim, grande parte da sua importância. Parece que sabemos sempre quando uma situação não é de fiar, mas lá vamos nós, sem travões nem preocupação com tal facto. Na outra face da lua, encontro braços abertos para me receber, para me acarinhar - e, quem sabe, acarinhar a minha alma, porque essa sim, precisa de conforto. Todos nós precisamos de algum conforto.