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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Na vida tudo passa, não importa o que tu faças. As marcas do passado vão sarar sempre, enquanto estiveres vivo fica grato por poderes escolher. Há tanta coisa que não tem volta a dar, tantas palavras que não têm retorno, tantos gestos que não se podem apagar de forma alguma. Mas depois, depois existe o amor que podemos transmitir a alguém. O amor que se vê e se sente de olhos fechados, que se compreende com um silêncio, o amor tão terno que toda a gente gostaria de sentir. Amar só é amar quando olhamos mais fundo do que os outros, quando podemos descrevê-lo de olhos fechados. Quando a nossa respiração está tão perto que se podia misturar, quando somos um só e nada mais tem importância. O eterno parece tão reduzido comparado ao que sentimos, e longe de nós serem precisas as palavras para demonstrar algo a que nos dedicamos de corpo e alma todos os dias.
E como é que poderiamos substimar este dom tão cuidado, tão cheio de brilho, se no fundo aquilo que todos procuramos é um bocadinho de amor no mais infímo recanto da solidão que por vezes nos abraça tão incessantemente. É triste que nem todos possam sentir-se aconchegados no amor de alguém, no carinho de um coração que se preocupa com eles, mas mais triste ainda é não saber reconhecer o amor de alguém quando essa pessoa se entrega totalmente a nós. Sempre que olhar para o céu azul sei que o teu nome aparecerá, escrito no céu, basta eu querer.