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quinta-feira, 1 de março de 2012

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Senti o sono afastar-se lentamente. Uma respiração que não me pertencia chegou-me ao ouvido e abri os olhos. Serenamente, alguém que não eras tu descansava ao meu lado. As suas feições eram-me conhecidas, embora não conseguir decifrar de onde. Ele deve ter pressentido que o observava incessantemente, porque acordou de imediato. Esboçou um sorriso e aproximou-se como que para me beijar a face. Eu desviei-me e mostrei-me desentendida com aquela atitude. Não sabia quem ele era, onde estava e o que fazia ali. A noite passada baseava-se em estilhaços de memória espalhados pela minha cabeça. As certezas eram muito poucas, e as circunstâncias nada agradáveis. Preferi não perguntar nada daquilo que me passava pela cabeça à velocidade da luz, talvez pelo medo que sentia da possível resposta. Encostei a cabeça para trás e deitei-me numa almofada branca de seda. Ele aproximou-se e senti o seu olhar fixar-se em mim. Foi ai que reparei no mobilário do quarto onde passara a noite e na sua disposição.