Arquivo

sábado, 17 de março de 2012

❤ ∞

Sempre fui como os pássaros, não há lugar que me prenda por demasiado tempo. Apenas o necessário para descansar a alma, para a enriquecer e depois há que deixá-la voar para outro lado. 
Aprendi com a vida, ou talvez até sozinha, que às vezes temos que deixar as coisas irem-se, esvoaçarem com o vento e partirem. 

Mas um dia, um dia de sorte ou azar, um dia de fortuna ou miséria, um dia que não escolhi e provavelmente, tu também não, chegaste. Apareceste simplesmente. 
Com a tua rebelião interior, revolveste o meu Mundo, a minha estabilidade, a minha paz, os meus sentimentos, mas principalmente, e isso agradecer-te-ei para sempre, a minha felicidade.


Mostraste-me que às vezes arriscar não é errado e sentir bem fundo no coração aquilo que não se pode sentir só à flor da pele pode ser o primeiro passo para sermos completamente felizes. Ensinaste-me a voar com a minha própria alma, a deixar-me levar pelo mar. Ensinaste-me a deitar a cabeça para trás, e fazer uma vénia à solidão de certas vezes em que ela aparecer, e agora cito-te, "porque só quando estamos sozinhos separamos as nossas necessidades dos nossos desejos". 


Como tantas outras coisas que me ensinaste, que podia agora nomear durante horas, ensinaste-me a ver a vida de outra forma. Mostraste-me que o teu mundo, parecendo ser tão simples aos olhos de fora, tem uma imensidão de complexos que não mostras, mas sentes constantemente. 

O medo é o meu pior inimigo, sempre o foi. E, verdade seja dita, tu ensinaste-me a enfrentá-lo de cabeça erguida e queixo levantado. E, que ironia, tão bem me ensinaste! Então, o que sucedeu, senão uma tremenda falta de coragem, de vergonha na cara, o que sucedeu senão a falta de um pingo de sinceridade?  
Assustou-te a união do agradável ao inimaginável, do perigoso ao entusiasmante, do carinhoso ao provocador? 
Conta-me, perigo incandescente, viajado coração partido. Conta-me cada detalhe dessa tua tão grande falha. Conta-me cada lágrima que derramaste desde que não sentes o meu abraço.

E para te ser extremamente sincera, como sempre fui com a tua pessoa, eu ainda procuro as razões por este e o outro Mundo fora. Tu sabes que sou orgulhosa, mas ainda mais que isso, ainda mais que orgulhosa, teimosa, casmurra, sou perdidamente apaixonada por ti desde o dia em que me deste a mão e me prometeste o Mundo cor-de-rosa e o final feliz dos contos de fadas.

Custa-me tanto descansar a cabeça na almofada que outrora partilhei contigo, enroscar-me nos lençóis que já nos pertenceram noites inteiras em branco, procurar cada resguardo teu pela casa, cada recordação que ainda me conforta no meu próprio calor. É nisto tudo que me noto abraçada pelas saudades tuas, e é nisto que me confio em cada noite, também agora em branco, infelizmente solitária. 
E mesmo que eu contasse ao Mundo cada segredo nosso, nunca seria suficiente, porque eras tu quem devia ouvir-me falar sobre as nossas histórias, os nosso percalços, os nossos momentos. E no fim, eras tu que tinhas a obrigação de cumprir aquilo em que me fizeste acreditar.


E o pior, o pior de tudo. Esse terrível incidente marcou-me demasiado para deixar de te amar, e mais, para te esquecer. Ficaste mais que relembrado, em cada noite, em cada beijo, em cada sussurro. Ainda te ouço pertinho do meu ouvido, ainda te desejo a melhor das boas noites, ainda que não me ouças.
És só tu quem poderia algum dia compreender todos estes sentimentos, porque só tu partilhas o mesmo que o meu, espero. Tenho uma falha, e sinto a falta de algo. Deixaste-me incompleta, quebrada e incompleta.Acreditas que corri todas as tempestades, todos os ventos e nenhum deles tem o pedaço que falta no meu coração?