Arquivo

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Deixei a chuva escorrer-me pela cara. Uma sensação de liberdade invadiu-me como nunca. Não é todos os dias que podemos observar o mar bravio e destemido de perto. A sua ferocidade chamou-me à memória a hostilidade que por vezes sinto. É triste quando relembro isso. Às vezes deixo passar. Sinto as palavras entrarem no meu ouvido como leves penas, que me fazem apenas uma certa comichão. Dessas vezes, há sempre algum motivo para elas me parecerem penas. Um alguém, uma coisa ou até mesmo uma atitude. Mas, outras vezes sinto-as como facas afiadas muito mais insuportáveis. Ai, ai torna-se chato. Por vezes, desmoralizo. Quero deitar tudo a perder por causa disso, deixar as coisas fugir-me por entre os dedos. Outras, consigo sacudi-las e voltam a sair sem fazer qualquer tipo de estrago. Tem dias. Tem dias em que é fácil sentir-me feliz. Tem dias em que o Sol podia brilhar as 24h e ainda assim me sentiria a pessoa mais infeliz do Mundo. Tem dias que só quero sair e conhecer o Mundo. Tem outros que só queria o conforto de um abraço, o carinho de uma palavra amiga ou um beijo no pescoço. Duas faces, duas metades, duas formas diferentes de viver.